Recebi o pedido do Presidente Zemor de prestar uma homenagem à dupla vencedora da Copa Brasil Evinrude de Pesca Esportiva: Jorge Ribeiro e Eduardo Macedo. Imediatamente dei-me conta de nossa falta por não tê-la ainda feito. Com muito reconhecimento e merecido resultado assumi a responsabilidade de transformar seu sucesso em conhecimento para todos nós. Fica nesta entrevista a responsabilidade de buscar em suas palavras o essencial empregado na obtenção de um resultado magnífico que ficará para sempre na história de ambos, de uma associação como a ARPIA e de todos nós que temos a satisfação de conviver com ambos. O primeiro título brasileiro de pesca esportiva é, para sempre, de Jorjão e Macedo!!!!
Pedro Paulo Tomatis
Dir Marketing da ARPIA

1)Porque esta dupla se formou? Um confiava na bola do outro?
R. Jorjão:
Nós fomos os pioneiros em participar de competições fora do estado fomos a primeira dupla a participar de uma prova em Caiobá, Nós montamos o primeiro barco com plataformas de pesca, Nós tivemos a idéia de fazer a Agapia Porto Alegre, depois foi fundado a Arpia. Os primeiros campeonatos estaduais nós fazíamos duplas por questões de trabalho resolvemos abrir nossa dupla isso a mais de 16 anos.
O Macedo me fez o convite sabendo que um sonho nosso era uma disputa a nível nacional, num primeiro momento falei ao Macedo que não teria condições de acompanhar, pois sabia que haveria uma necessidade de tempo para treinamentos e as próprias provas do campeonato.
Mas o Macedo foi muito hábil colocou a questão justamente no ponto se nós sempre fomos os pioneiros não podíamos deixar de participar estaríamos perdendo o trem da história da pesca esportiva no Brasil.
R. Macedo:
Na verdade participamos dos primeiros movimentos para a isca artificial se organizar como esporte. Criamos juntos a Arpia e por um bom tempo fomos parceiros de pesca. Sempre mencionávamos a outros participantes:- “quando teremos um campeonato nacional aos moldes do modelo americano”? Quando ficamos sabendo do campeonato vi meus anseios serem atendidos. E agora mesmo afastado das competições (agenda apertada) estudei as datas e achei que seria possível participar. Logo chamei o Jorjão para efetuar o convite. Algo que imediatamente foi aceito. Daí para frente decidimos realizar as etapas do Sul para logo em seguida partir para um planejamento estratégico das próximas etapas. Assim foi feito. Após uma excelente recuperação durante a primeira prova, na qual um sorteio de último posto para largada, seguida de uma pane no motor, que nos tirou as três primeiras horas, foi a mola mestra para uma prova de recuperação e um excelente sexto lugar. Daí para frente tudo foi mais fácil. No segundo dia um segundo lugar nos jogou para uma classificação geral de terceira melhor dupla. Tínhamos feito a lição de casa. A partir da segunda-feira iniciamos um minucioso planejamento para todas demais etapas.
Check-lists completos, busca por informações da cada raia, contratação de guias e muito foco em cada etapa fez a diferença. Decidimos investir na contratação de um profissional muito experiente em GPS e utilização de diversos aplicativos para trabalharmos melhor com dados, mapas e cartas náuticas. Os treinamentos também não ficaram esquecidos desta forma chegamos 3 dias antes nas etapas de São Paulo. Após um excelente resultado em São Paulo, que nos levou para a liderança, tínhamos que nos esforçar ao máximo, então assim fizemos. Realizamos um treino de reconhecimento a 30 dias antes da prova, na gigantesca raia de Antônina e Paranaguá. A chegada com antecedência de uma semana para treinarmos no Capivari vez que atingíssemos nossos objetivos.
2) Foi feito algum planejamento prévio?
R. Jorjão:
Vários:
Elaboramos nossa participação por etapas, de acordo com as provas.
Curso de Utilização de GPS Básico e Avançado
Treinamento com antecedência de 15 dias em Antonina e 07 dias em Paranaguá (Jorge)
Treinamento Bass 06 dias na Repressa Capivari (Macedo)
Treinamento 04 dias em Atibainha
Sempre realizamos reuniões para acertar os detalhes de cada etapa: viagem, treino, guia, hotéis, marinas, etc.
R. Macedo:
Sim. Respondido acima.

3) Vocês agregaram algum material (isca, vara, linha, carretilha, etc.) novo e especial para esta competição?
R. Jorjão:
Sim, Comprei molinetes e varas, linhas, muitos acessórios para a pesca do Bass. Mais ou Menos R$ 3.000,00
R. Macedo:
Muitos. Especificamente eu comprei uma completa linha de Crankbaits (umas trinta peças); montei duas varas especificas para a modalidade; linhas de flúor carbono novas para cada etapa; dois novos molinetes e muitos outros itens. Até um pequeno macaco hidráulico foi adquirido para facilitarmos alguma surpresa na estrada.
4) Os novos materiais agregados foram eficazes?
R. Jorjão:
Sim . com certeza principalmente os molinetes e varas
R. Macedo:
Sim, tínhamos juntos 19 varas montadas na etapa de bass no Capivari. Das modalidades eleitas no treinamento, optamos em montar em duplicidade para evitar perda de tempo na montagem de algum equipamento perdido. O equipamento para Crank (pouco utilizado pelos pescadores gaúchos) garantiu dois belos Basses no Paraná. Apenas o macaco não foi utilizado.

5) Havia alguma raia desconhecida da dupla? Qual ou quais?
R. Jorjão:
As raias do Paraná para nós foram as mais complicadas principalmente (Antonia e Paranaguá) o que nos levou a fazer treinos com guias com antecedência face a grandiosidade do local e em especial a questão de segurança pois a navegação é extremamente difícil e muito perigosa.
Já a raia de São Paulo a navegação é fácil difícil é descobrir como pescar em pouco tempo, mas tivemos a orientação do Fábio da Loja King Fisher que foi fundamental, considero o Fábio um dos maiores pescadores de Bass de São Paulo falta a ele mídia, pois se tivesse tenha certeza que estamos diante de um Profissional.
R. Macedo:
Conhecíamos apenas nossas raias. As demais foram conhecidas durante os treinamentos.
6) Como fizeram para superar o desconhecimento?
R. Jorjão:
Muito Treinamento e pesquisa dos locais
R. Macedo:
Buscar informação e opiniões sobre vários pontos foi a melhor estratégia. Ninguém ficou sem ser questionado. Desde os pescadores mais experientes de cada raia até o mais simples funcionário responsável por cuidar dos barcos em uma marina, foram ouvidos. Então restou somar tudo, fazer a média, descontar as mentiras e ir para a raia tirar a prova.

7) O papel do guia foi fundamental em que sentido? Para achar o caminho (rota, pedras,etc.)? Para encontrar os pesqueiros (locais de maiores ações)?
R. Jorjão:
Fundamental, sem guia, quem nunca foi a Paranaguá vai ter problemas.
Como os locais são muitos grandes é necessário abreviar e somente com guias nem tanto para ensinar a pescar, mas sim navegar e conhecer os pontos de pesca.
R. Macedo:
Sim foi. Em alguns casos por transmitir conhecimento técnico contribuído no entendimento do comportamento do peixe naquele momento. Mas na grande maioria das vezes a contribuição foi para traçarmos rotas seguras e conhecermos os pontos de pesca. Mas o fundamental para quem imagina contratar algum guia é ter em mente que ele vai apenas contribuir para que VOCÊ defina qual melhor estratégia, qual melhor equipamento, etc.Você tem que montar sua estratégia e não ele!!!

8) Havia alguma estratégia prévia para cada prova?
R. Jorjão:
Em todas, o treinamento, as conversa sinceras fez sempre pauta das reuniões na véspera da prova para traçar nossa estratégia. E o que é importante sempre seguimos a risca o combinado.
R. Macedo:
Sim.
9) Como decidiam pela melhor estratégia no dia da prova?
R. Jorjão:
Baseado nos treinos
R. Macedo:
Baseado nos resultados dos treinos tínhamos uma seqüência de pontos. Um roteiro a ser comprido. Este roteiro ranqueava de um até 30 a seqüência a abordar, claro que as vezes você era surpreendido pois alguém já tinha ocupado seu posto.
10) Qual foi a maior dificuldade encontrada em pesqueiros desconhecidos?
R. Jorjão:
Localizar pesqueiros e navegação mas isso tudo foi superado com ajuda dos guias durante os treinamentos e também utilização do GPS.
R. Macedo:
No caso de SP foi ter pontos suficientes para pescar duas etapas na mesma raia. No segundo dia faltaram novas opções. Já no Paraná suprimos esta deficiência na etapa bass no Capivari, mas já em Paranaguá a navegação e as distancias foram a nossa maior dificuldade.
11) Houve ajuda mútua entre duplas de mesmo clube?
R. Jorjão:
Sim , Passamos informação para (Cau e Caco ) em Torres e Capivari
Para o Jonas e Zemor como eles não tinham treinado em Paranaguá os conduzimos até um bom pesqueiro.
R. Macedo:
A todos que pediram nosso apoio, oferecemos informações adequadas e suficientes. O que fazer e o que não fazer foi nossa contribuição. No decorrer da prova algumas dicas foram de muita ajuda para alguns. Na ultima prova uma das duplas acabou nos seguindo e pescando no mesmo rio, não podíamos negar este apoio, eles não tinham a menor idéia de como navegar.

12) Qual o maior investimento para se ter sucesso em um campeonato? De tempo? De estudo? De material?
R. Jorjão:
È um conjunto, uma coisa está liga a outra não tem como saber o que é mais importante, pois você tem que colocar as três em prática sempre.
R. Macedo:
Os três. Mas realmente gastamos apenas o necessário. Evitamos hotéis caros, abrimos mão de alguns confortos ou jantares mais onerosos para dividir uma pizza no apartamento e manter o foco na prova.
13) Existe uma receita para se ter sucesso em uma competição como foi esta?
R. Jorjão:
Treinamento – Dedicação – Investimento – Amizade e Respeito pelo Parceiro
R. Macedo:
Planejamento e auto controle. É muito fácil você perder a concentração.
14) Nossa experiência gaúcha contribuiu de forma decisiva? Como?
R. Jorjão:
Com certeza, ao longo dos anos nosso CGPIA vem servindo para moldar atletas de ponta quem gosta de competir e pescar com iscas artificiais a Arpia é formadora. Não tenham duvida sempre demonstramos conhecimento e maturidade em competições fora do Estado.
A Arpia e seus atletas são sempre respeitados pela sua história na Pesca Esportiva.
R. Macedo:
O segredo da vitória está obstinação, e isto tem tudo a ver com agente.
15)É preciso um barco potente ou um competidor com um barco de pouca potência tem chances de sair-se bem? Qual o papel do barco?
R. Jorjão:
Barco potente sempre é bom mas as vezes não é suficiente quem levou a prova em Paranaguá foi um barco com Motor 40HP o mais importante é o treinamento e ter convicção. Barco potente ajuda mas não pega peixe o que vale é os peixes no viveiro, então na minha opinião, o conjunto todo deve ter harmonia: Maquina – Pescadores.
R. Macedo:
Potencia ajuda sim, mas estratégia é muito mais importante.
16) O que vcs poderiam dizer para incentivar alguém que está em dúvida em participar da próxima competição?
R. Jorjão:
Arregaçar as manga e ir em frente, não esquecer de ter a vitória como objetivo entra para ganhar, não entrar pensando em camiseta do evento ou poder participar de um sorteio, Pois não há nada em valores que possa substituir o prazer que eu e o Macedo tivemos ganhando esse campeonato brasileiro
R. Macedo:
Conheci muita gente legal, fiz novas amizades, tive a oportunidade de conhecer 3 excelentes pontos de pesca, cresci como pescador. Voltei muito feliz!!!!
17) O que vocês mudariam no planejamento da próxima competição?
R. Jorjão:
Cada um vê de uma forma. Quem quer ganhar não pode escolher nada –raia –datas – Adversários – tem que aceitar o que é proposto. Acho que devemos repetir a estratégia e com a experiência adquirida corrigir algumas coisas que podem resultar em menos trabalho e despesas.
R. Macedo:
Já fizemos as principais mudanças. Mas nossa dica é que este campeonato deve ser corrido com equipe de três participantes.Uma distribuição de tarefas, custos e participações em provas ajuda muito.No ano passado já tínhamos previsto isto mas problemas de ordem pessoal fizeram que nossa terceira força não conseguisse participar.
18) Qual será a melhor lembrança da vitória da dupla?
R. Jorjão:
O Abraço da vitória entre eu e o Macedo na festa de encerramento.
Nossa amizade e respeito será eterno. Vencemos não somente os competidores e sim a dificuldades que concretizaram um sonho nosso de ter disputado um campeonato a nível Brasil e logicamente ter conquistado o titulo de 1º Campeão do Brasil na pesca com Iscas Artificiais
R. Macedo:
As lembranças são muitas, mas se eu tiver que destacar uma deixo nossa frase de motivação: “um degrau por vez”!!!
19) Algum comentário final?
R. Jorjão:
Quero agradecer aos familiares pela compreensão na ausência e aos nossos patrocinadores:
King Fisher Sr Takashi e Fábio, Labor Sys Sr Eduardo,
Aicas Iscas Artificias
Ecofishing, Macedo Pesca Esporte, Micro Show Informática,
Bazzoti Jeans
Rek Reboques, SM Motores Elétricos
R. Macedo:
Somos responsáveis pela evolução de nosso esporte, mas as questões de conservação de nossos recursos naturais devem estar sempre em primeiro lugar. Defender os parceiros que nos propiciam tantos momentos de desafio e emoção não deve ficar em segundo plano.

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